Usuário:Luiz Netto
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Meu nome é Luiz de Assis Netto, nascido em São Paulo, Brasil, ex-aluno do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Atualmente moro em San Francisco, na Califórnia.
Sempre gostei de enciclopédias. Quando eu era criança, já passava muito tempo na biblioteca da minha escola, onde encontrei um velho exemplar do Thesouro da Juventude que me entretinha bastante. Agradava-me passar da física à música, dos imperadores romanos ao budismo, da história dos povos e geografia à estrutura do átomo e invenção do gramofone. A enciclopédia Trópicos também era outra que eu lia bastante. Hoje mesmo, quando eu vou à Biblioteca Pública de San Francisco, às vezes abro enciclopédias a esmo e as fico vasculhando. A curiosidade ilimitada sempre foi parte da minha personalidade. O âmbito dos meus interesses sempre foi, por assim dizer, enciclopédico.
Aprendi bem cedo o inglês e o francês, e a Encyclopaedia Britannica e o Grand Larousse Encyclopédique logo se tornaram minhas enciclopédias favoritas. Outras das minhas prediletas: a Enciclopedia Italiana e a enciclopédia espanhola Labor.
Eis aí a principal razão por que um projeto enciclopédico me atrai.
Eu só escrevo um artigo para a Wikipédia quando minha musa me inspira.
"O gênio é 1% de inspiração e 99% de transpiração." Albert Einstein
Índice |
[editar] Arte e ciência
Grande parte dos artigos de qualquer enciclopédia respeitável se referem à arte ou à ciência. Estas estão entre as mais nobres atividades humanas, aquilo que nos distingue dos outros animais. Só o homem interroga a si mesmo e à natureza, quer saber por que brilham as estrelas e como tudo começou. Só o homem pinta, escreve poemas e compõe sinfonias. No entanto, embora estes dois gêneros de atividades pertençam à esfera espiritual, uma dimensão da existência que só o homem, entre as criaturas terrestres, possui, eu acredito que a arte é superior à ciência. E vou explicar por quê.
Se Einstein não tivesse descoberto o que ele descobriu, alguém mais teria descoberto. Se Newton não tivesse descoberto a lei da gravitação, alguma outra pessoa teria feito essa descoberta. Tanto isto é verdade que, quando eu era estudante de física, notei que muitas leis da física, química e matemática foram descobertas por mais de uma pessoa, trabalhando independentemente e sem ter conhecimento do trabalho da outra. Exemplos: uma das leis físicas fundamentais do comportamento dos gases é chamada Lei de Boyle-Mariotte por ter sido descoberta por dois cientistas, um inglês, Robert Boyle, e um francês, Edme Mariotte, os dois trabalhando separadamente e sem ter qualquer conhecimento do trabalho do outro. Uma outra é chamada Lei de Charles-Gay-Lussac por ter sido descoberta independentemente por Jacques Charles e Louis Joseph Gay-Lussac. O elemento químico cloro foi descoberto em 1774 por Carl Wilhelm Scheele e de novo 36 anos mais tarde por Humphry Davy, sem saber nada dos trabalhos de seu antecessor, que nunca tinham sido publicados. Em matemáticas, o cálculo diferencial e integral foi descoberto simultaneamente por Newton e Leibniz, que depois entraram numa disputa feroz entre si a respeito de quem teve a primazia da descoberta. A geometria não euclidiana foi descoberta quase na mesma época por um matemático russo, Nikolai Ivanovich Lobachevsky e por um alemão, Carl Friedrich Gauss, sem saberem sequer da existência um do outro.
O mesmo se dá com invenções. Todo brasileiro aprendeu desde criança na escola que quem inventou o avião foi Santos Dumont. Porém, aqui nos Estados Unidos, quase todo americano que eu encontro nunca ouviu falar de Santos Dumont e está convencido de que quem inventou o avião foram os irmãos Wright. Acontece que Santos Dumont e os irmãos Wright desenvolveram máquinas voadoras mais ou menos na mesma época, sem saberem da existência do outro. A invenção do rádio tem sido atribuida a Guglielmo Marconi, que patenteou o invento em 1897, mas parce que um russo chamado Alexander Popov já tinha desenvolvido um aparelho semelhante em 1895. Um padre brasileiro chamado Landell de Moura também já tinha feito a mesma coisa.
No entanto, se Beethoven nunca tivesse existido, quem iria compor a Nona Sinfonia? Isto é algo que só Beethoven poderia fazer, ninguém mais. Se Picasso nunca tivesse vivido, quem iria pintar Les demoiselles d'Avignon? Se Baudelaire nunca tivesse vivido, quem iria escrever L'invitation au voyage? Essas coisas não existiriam, não seriam parte do nosso universo.
Criação é atributo de Deus. Somente Deus pode criar. Ora, o artista, sendo um criador por excelência, neste sentido pode-se dizer que o artista está mais próximo de Deus do que qualquer sacerdote, do que qualquer religioso.
[editar] Arte e religião
| “ | A música é uma revelação mais alta que a sabedoria, mais alta que a filosofia. | ” |
| “ | "Eu sou o Baco que proporciona o vinho para que a humanidade se embriague. | ” |
Eu sinto essa embriaguez espiritual de que fala Beethoven de uma maneira especial quando ouço o Quarteto em Fá Maior, op. 59 no. 1, também chamado Razumovsky no. 1. A primeira vez que o ouvi, com o Budapest String Quartet, as primeiras notas foram como um golpe, que de súbito me elevou às alturas. Ainda hoje, ele me produz o mesmo efeito. É uma embriaguez que, por ser puramente espiritual, não afeta a saúde física, a não ser de maneira positiva. Um certo autor dizia, "ouvir pela primeira vez os Quartetos Razumovsky de Beethoven é como uma primeira viagem a Paris ou Veneza, uma primeira leitura de Homero, um primeiro beijo." Pura verdade!
Eu estava lendo uma biografia de Chopin por Casimir Wierzinsky, quando me deparei com essa passagem:
| “ | Ao sentar-se [Chopin] ao piano, estava geralmente pálido e seus olhos tinham uma expressão indefinível; mas quando acabava de tocar, o rosto, animado e rosado, era bem outro. O perfil magro afilava-se ainda mais. Os olhos fatigados pareciam sublinhados por profundas olheiras. A sua elegância, as suas maneiras refinadas, contrastavam singularmente com a indiferença que manifestava por tudo que não fosse arte. A música purificava-se nele para atingir um ideal que os males da vida não podiam conspurcar. A música era, a seus olhos, a única realidade suprema; era a beleza sem artifícios, a moral sem constrangimentos, o delicado culto prestado a essa divindade que é a verdade infalível. | ” |
(grifo meu)
| “ | "Acredite-me, meu amigo, nossa arte é uma religião. Tornou-se possível à arte salvar tudo que há de mais sagrado para nós de todo dogmatismo e rigidez formal. | ” |
Cosima Wagner numa carta a Hermann Levi, o regente judeu que foi o primeiro a reger Parsifal
[editar] O mundo todo é um palco
| “ | All the world is a stage,
and all the men and women merely players; they have their exits and their entrances, and one man in his time plays many parts. |
” |
| “ | O mundo todo é um palco,
e todos os homens e mulheres meros atores; eles têm suas entradas e suas saidas, e cada um a seu tempo representa vários papéis. |
” |
A própria história não é mais que um drama que se desenrola neste palco esférico que nós chamamos a Terra.
[editar] Métodos e princípios gerais de trabalho
Mantenho uma cópia de cada artigo que crio ou edito no hard drive do meu computador, para poder recarregar em caso de vandalismo, ou caso a Wikipédia vá pras cucuias - por exemplo, se um furacão ou um vendaval varrer a Flórida do mapa. Assim, meu excelente material poderá ser aproveitado noutro lugar.
Dou muito mais ênfase à qualidade do que à quantidade. Às vezes levo meses para criar um artigo, com muita labuta e suor, pesquisando e me esforçando para escrever bem. Mais vale um único artigo bem feito do que dez porcarias. Eu nunca vou estar entre os dez editores com maior número de artigos editados.
Não basta só criar um artigo. É necessário vigiá-lo constantemente para evitar que o estraguem. A Wikipédia é uma faca de dois gumes: por um lado, ela permite que qualquer um que tenha conhecimento, capacidade e talento contribua, e isso é bom; por outro lado, qualquer imbecil que tenha acesso a um computador ligado à internet pode despejar seu lixo aqui, portanto há uma luta constante contra as bactérias wikipédicas.
Eu em geral evito escrever artigos sobre compositores dos quais não gosto. Entre eles:
Mascagni e Leoncavallo - não suporto a vulgaridade deles.
Massenet - Massenet é mais conhecido por apenas três de suas óperas: Manon, Werther e Thaïs.
A Manon de Massenet nem se compara com a estupenda, a magnífica Manon Lescaut do meu querido Puccini.
Werther tem uma ária que eu acho expressiva: Pourquoi me réveiller, ô souffle du printemps. Mas no geral ele é muito fraco. A enciclopédia Labor acertou na mosca quando disse: "Massenet conquistou o público pelo apelo sentimental de suas óperas, quase totalmente destituídas de substância musical."
Thaïs é uma das piores óperas jamais compostas. Thaïs é uma chata, e aquele monge que se apaixona por ela é mais chato ainda. Ele faz tudo que pode para converter Thaïs ao cristianismo e, quando afinal consegue o seu intento, ele quer possuí-la! Vai-se entender a psicologia bizarra desse cara. A ópera Thaïs não tem nada a não ser um solo de violino, e mesmo aquele solo de violino não vale lá tão grande coisa.
O solo de violino ao qual eu me refiro é a famosa Meditação de Thaïs, durante a qual ela resolve deixar sua vida de putana e virar uma mulher séria.
O libreto de Tannhäuser é tão hipócrita e nauseabundo quanto o de Thaïs, mas Wagner pelo menos sabia compor boa música.
No entanto, forçoso é dizer que Massenet goza de grande reputação entre os amantes de ópera. Certo. Mas Puccini goza mais. E Wagner goza mais ainda - Cosima que o diga, ha ha ha...
Pasmem, hoje (9 de novembro de 2007) eu estava lendo o New York Times, quando me deparei com o seguinte:
| “ | A sizable contingent of opera buffs find Massenet's works musically thin and dramatically cloying. | ” |
"Um grande número de apreciadores de ópera acha as obras de Massenet musicalmente fracas e enjoativamente açucaradas do ponto de vista dramático."
Ou seja, não sou só eu que tenho esta opinião. Existe uma tal coisa como a verdade artística, assim como existe a verdade científica. Que a terra é redonda e o teorema de Pitágoras é verdadeiro continuaria sendo verdade, mesmo que a maioria acreditasse no contrário. Quando um número considerável de pessoas dotadas de sensibilidade e discernimento percebe uma coisa, então provavelmente essa coisa é verdadeira.
Outras coisas que detesto
A finalidade da música não é deixar ninguém surdo. Naquelas vezes em que eu entrei num daqueles bailecos da juventude com caixas acústicas enormes com mais de 3.000 watts de potência tocando a todo volume, saí de lá correndo, temendo pela saúde dos meus ouvidos. Um violino, uma flauta, uma trompa, têm uma sonoridade natural, que respeita os limites do ouvido humano. Até mesmo uma orquestra sinfônica com mais de 100 instrumentos todos tocando em fortissimo ainda está dentro desse limite. Mas amplificação eletrônica é covardia. É o mesmo que jogar uma bomba atômica contra os ouvidos. Uma guitarra elétrica não é um instrumento; é uma bomba, cuja finalidade é dinamitar os ouvidos das pessoas. E de fato, estudos médicos feitas nos Estados Unidos mostram que muitos ouvintes de rock'n'roll estão de fato ficando surdos.
São necessários muitos anos de estudo para se formar um bom cantor, regente ou instrumentista. Mas o rock'n'roll está baseado no culto da ignorância. Além disso, o rock'n'roll sempre cultivou obsessivamente a imagem de juventude. No entanto, os principais ídolos do rock'n'roll, Paul McCartney já está com 65 anos, e Mick Jagger já está com 64. Gostaria de saber como eles enfrentam a velhice.
O rock'n'roll está para a música assim como o MacDonald's está para a comida. É um produto de massa, de consumo fácil, produzido e vendido em alta escala, mas cheio de gordura hidrogenada, colesterol, e outras porcarias que fazem mal à saúde. Nos Estados Unidos está havendo uma verdadeira epidemia de obesidade e colesterol causados pela McDonald's.
O rock'n'roll é uma coisa de um primitivismo animalesco, uma regressão musical à idade da pedra (embora armada de instrumentos eletrônicos).
Na verdade, meu gosto musical é bastante variado, indo desde a Idade Média até o século XX. A peça mais antiga que eu ouvi e gostei é a Missa de Notre Dame, do compositor francês Guillaume de Machaut. Composta para a inauguração da Catedral de Notre Dame de Paris, é uma peça que tem quase 700 anos.
[editar] Dúvidas
Devo ou não devo colocar o rótulo de "spoilers" nos artigos sobre óperas? No começo, colocaram esses rótulos em alguns dos meus artigos, e eu os retirei. Ópera não é como teatro ou cinema. Eu não vou ver a Tosca para saber como ela vai terminar; eu já sei. Quero ouvir de novo aquela música sublime, quero ver como vão se sair os cantores, o regente, a orquestra e o coro. Quero talvez descobrir um novo detalhe, uma nova nuance naquela partitura, iluminada pela mão desse ou daquele regente. Geralmente, os teatros fornecem aos espectadores resumos do enredo para eles lerem entre os atos. Tem sido assim até recentemente, mas hoje em dia muitos teatros de ópera utilizam legendas projetadas, um novo recurso tecnológico, e, além disso, muita gente assiste ópera em DVD, com menus de opção para se escolher a língua, se eu quero assistir, por exemplo, uma ópera em tcheco, língua da qual não entendo bulhufas. De forma que a questão fica de pé: devemos ou não devemos colocar o rótulo? Eu não coloco, mas se alguém quiser colocar, eu não vou reclamar.
A essência da ópera está no poder da voz humana, da música e do canto para expressar uma situação dramática. Luiz Netto
[editar] Boas Novas!
Jimmy Wales, o fundador da Wikipédia, está de mudança para San Francisco! Eu certamente vou ter a chance de conhecê-lo pessoalmente. Ele provavelmente vai estar num daqueles cafés da North Beach. Se alguém mais encher a minha paciência aqui, como já fizeram no passado, é só eu dar um toque pra ele, e o problema fica resolvido na hora! Ha ha ha...
[editar] Coisas a fazer
[editar] Minhas contribuições até agora
(da mais antiga para a mais recente)
Turandot, Puccini, Madama Butterfly, Gianni Schicchi, Suor Angelica, Ave Maria, Tosca, Monólogo Musical, Recitativo, Minueto, Gavota, Dinâmica Musical, Cinética Musical, La Bohème, Domenico Cimarosa, Camille Saint-Saëns, Samson et Dalila, Arturo Toscanini, Bidu Sayão, Roméo et Juliette, Manon Lescaut, Abade Prévost, Quarteto de cordas, Trompa, Música tonal, Birgit Nilsson, Charles Gounod, Escala diatônica, Leif Ove Andsnes, Elektra (ópera), Salomè, Der Rosenkavalier, Papel-travesti, Idomeneo, Adelaide (Beethoven) (tradução), Richard Strauss, Gioacchino Rossini, Régine Crespin, Eudóxia de Barros, Richard Wagner, Heldentenor, Trompa wagneriana
[editar] Artigos para os quais contribuí de maneira significativa
- Mozart óperas, sinfonias, concertos, música de câmara, música sacra
- Beethoven obras: Lista das composições de Ludwig van Beethoven
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